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terça-feira, 16 de março de 2010

Ciclo de Subdesenvolvimento e Conformismo

O Brasil esta trancado em um ciclo de subdesenvolvimento. Por quê?

Vamos pegar um exemplo claro. Por que o Brasil produz tanta soja e mal produz trigo? Oras, se você é um agricultor querendo fazer dinheiro e está indo plantar soja, aviso a você, tu és um idiota. A soja, muitos pensam que é o ouro amarelo (com o perdão do trocadilho) da agricultura, mas não é, o verdadeiro “ouro amarelo” a ser plantado no Brasil é o trigo. O trigo é o vegetal mais rentável de ser plantado no Brasil e na maior parte do mundo, ponto. Se você plantar, por exemplo, um hectare de trigo no Brasil, você vai ganhar mais dinheiro do que se plantasse um hectare de soja. E mais, o Brasil consome muito e importa muito trigo, ou seja, temos uma grande demanda e uma concorrência baixa. Em compensação a soja, o Brasil consome pouco e exporta muito. Plantar trigo é bom para você, na pela do agricultor, e bom para o Brasil, que tem um sério problema com a oferta de trigo. Aliás, importamos trigo da Argentina, muito trigo, quer algo melhor do que tirar doce de argentino? Já a soja... Bem, como eu disse, o Brasil consome pouquíssimo e exporta quase tudo, principalmente para a soja. Plantar soja não é tão bom quanto plantar trigo para você, agricultor, e não ajuda em nada a realidade do brasileiro médio.

Isso nos leva uma pergunta: se o trigo é tão bom para nós, afinal, porque ainda produzimos tanta soja? Culpa do agronegócio? Fala sério, agronegócio quer dinheiro, agronegócio quer trigo. O problema é a grande pressão externa, principalmente da China, para o Brasil continuar a suprir o mercado com soja e que o retorno financeiro da soja, por ser exportada, vem em menos tempo. Mas se o Brasil, o país Brasil, precisa de trigo e não de soja, seria agora que o governo entraria, favorecendo a produção de trigo em detrimento da de soja, com benefícios tributários e subsídios, por exemplo. Mas porque isso não acontece? Porque o governo não ajuda? Pois é, o governo não se interessa em suprir essa necessidade do país, não por incompetência, mas por interesses próprios. Como disse, há grande interesse no exterior de o Brasil continuar a produzir soja e convenhamos, manter não só nós mas como boa parte do mundo no time dos subdesenvolvidos. Nosso governo, não particularmente este, mas qualquer um nos últimos e próximos tempos, se submete a essa pressão estrangeira e permite que o Brasil adote uma postura favorável para o estrangeiro, não para o brasileiro: a de grande exportador. Servimos de fazenda para os asiáticos comedores de soja enquanto o brasileiro comedor de pão paga os olhos da cara pela farinha de trigo e seus derivados. Vide, com que freqüência você come carne-de-soja? Você gosta de carne de soja? Ah, e pão? Com que freqüência come? Devemos produzir soja para estrangeiro ou trigo para brasileiro?

Mais, essa situação não termina aí, se estende por quase todo o nosso país grande exportador de matéria-prima e grande importador de manufaturados. Vamos para outro exemplo forte: minério de ferro. O Brasil é o maior exportador de minério de ferro do mundo, uau! Parece bom, que solo rico temos! O problema é exatamente este, porque exportamos tanto minério de ferro? No que ele é utilizado lá fora? Porque o Brasil exporta tanto desse bem tão necessário ao mundo e continua subdesenvolvido? Bom, provavelmente você sabe no que minério de ferro é utilizado, não? Para fazer ferro? Não tão simples, meu caro, mas para fazer aço! Aço, muito aço pelo mundo! O minério de ferro brasileiro vira aço pelo mundo! Legal? Não, péssimo! Vendemos nosso minério de ferro, como toda matéria-prima, com um valor agregado muito baixo! Toneladas por centavos. O mundo compra nosso minério, fabrica o aço e revende por aí a fora com um valor muito maior do que o gasto na compra do próprio minério! Em termos práticos? Nosso maior comprador de minério de ferro, a China. O que importamos muito deles? Aço. Que aço? O feito do nosso próprio minério! O preço pago por eles na aquisição de nosso minério é pago em muitas vezes por nós na compra do aço deles, feito do nosso minério! Nós estamos vendendo a vara para comprar o peixe! A China, maior economia do mundo, faz fortuna as nossas custas. Por que o Brasil, em vez de jogar no ventilador o dinheiro arrecadado com a venda do minério, não retém essa verba para financiar a construção de siderúrgicas? Se assim fizemos, em pouco tempo, em vez de exportarmos minério de ferro, matéria-prima de baixo valor, exportaríamos aço, manufaturado de grande valor! Seria dois coelhos numa cajadada só: cortaríamos gastos com importação e geraríamos receita com exportação. Deixaríamos de importar aço para exportá-lo. É tão básico que qualquer um pode perceber, exceto, claro, nosso governo. Que assim como no caso trigo-soja, parece não perceber algo incalculavelmente benéfico para o Brasil.

Quer ir mais longe? Continuemos no exemplo do aço. A renda per-capita da China é US$ 7.204 (2005), a do Japão é US$ 33.100 (2006). Concorda comigo que, proporcionalmente, o Japão é 4,5 vezes mais rico que a China, não? Mas, puxa, como? O Japão é um país tão pequeno, quase sem recursos naturais, como pode ser tão rico? Será que ele também compra minério de uns manés pelo mundo e vende aço? Não, meu caro, a coisa agora é ainda mais avançada. O Japão compra aço pelo mundo, manufatura, e vende carros! Carros e muitas outras coisas feitas de aço, com um valor agregado muito maior que o aço sozinho! Na relação matéria-prima>transformação>manufatura, o carro, exportação japonesa, ocupa o final da relação, o ponto mais rentável de todos. Já o minério, nossa queria exportação canárinha, ocupa o lugar mais baixo e menos rentável da escala. E para piorar, não temos uma única grande empresa nacional que fabrique carros! O Japão tem “apenas” a Toyota, maior do mundo! Até a China fez aquela sua, com o nome ambíguo, a Chana. Toyota feito com aço chinês, aço chinês feito com minério brasileiro, minérios brasileiro feito de... Pobreza? Por que diabos exportamos MINÉRIO?! Isso é coisa de terceiro mundo, de gente burra! Como, por favor, me diga COMO um país de nosso tamanho, 6ª, 7ª, sei lá, maior economia global não tem UMA, UUUUMA única fábrica de automóveis de porte!? É assim que o país pretende crescer, com uma administração burra dessas? Uma gerência que nos acomoda no subdesenvolvimento? Desculpe, mas, por favor, me diga um único país desenvolvido que sobreviva de exportações de matéria-prima.

Achou pouco, quer mais? Vamos falar a língua dos magnatas: pe-tró-le-o. Apesar de já ter seus dias contados, o ouro negro ainda gera muita receita para quem o tem, e mais, sabe utilizar. “Mas o Brasil é auto-suficiente em petróleo e exporta”. Não, meu caro amigo, não caia em propaganda de folha de revista. Isso é propaganda ufanista do governo para fazer carinhas felizes com meias verdades. Acha que não? Pois bem, o Brasil exporta petróleo, sim, mas também IMPORTA petróleo! “Quê? Como assim?” Pois é, amigo, o petróleo brasileiro é muito bruto, muito grosso, e nós não temos refinarias em capacidade suficiente para refiná-los para o que nos interessa, derivados de petróleo (gasolina, querosene, diesel, etc.) Então o que fazemos? Vendemos nosso petróleo “pesado” e importamos petróleo “leve”! E é com esse petróleo leve com que fabricamos a maior parte da gasolina que vai no seu carro. A gasolina no Brasil não é cara apenas porque a Petrobras é ou não uma sacana, mas ela é feita de petróleo importado! O petróleo brasileiro não é aproveitado aqui! Pergunto: quem compra nosso petróleo “pesado”? Quem tem a capacidade de refiná-lo. Ah, então a tecnologia existe e nós não a aplicamos aqui? Pois é. Nosso país tão “nariz empinado” em termos de petróleo importa petróleo pois não tem capacidade de refinar o próprio. Nossa “auto-suficiência” se restringe a exportarmos mais petróleo do que importamos, ou seja, se as importações simplesmente parassem, faltaria combustível no país e sobraria gosma preta que não conseguimos refinar. Uau, que auto-suficientes... De Marte, só se for. Onde estão as refinarias nacionais para refinar nosso petróleo e não precisarmos mais importar? Aliás, exportar petróleo é como exportar o minério, o lucro está em exportar derivados de petróleo. Pobre e bobo exporta petróleo, rico e esperto exporta gasolina, querosene, diesel, etc.! “E o Oriente Médio?”. Pois é, muita renda com o petróleo, tanta que não precisam refinar para ficar ricos e desenvolvidos! Ahn, desculpe, “desenvolvidos”? Ricos talvez, meia dúzia de marajás, mas o povo, mesmo... Xiiii...

É por coisas assim, exemplificadas aqui pelo trigo, minério e petróleo, que o Brasil se retém a sua cômoda posição de subdesenvolvido rico, e não desenvolvido MAIS rico. “Mais rico?”. Pois sim, digo sim, se todos os países do mundo tivessem o mesmo governo, a mesma eficiência, afirmo sim que o Brasil poderia, sim, ser a nação mais rica DO MUNDO. Mais que China, mais que EUA, mais que a Europa. Nós temos riquezas minerais como nenhum deles tem, temos terras férteis em quantidades que nenhum deles tem, temos recursos hídricos incomparáveis, um potencial energético gigantesco, mão-de-obra para tudo isso e... Uma sucessão de governos corruptos e ineficientes. Infra-estrutura pode ser construída, indústrias podem ser construídas, manufaturados podem ser construídos, só as matérias-primas que não, devem ser extraídas, e nós vendemos todas as nossas por aí, sustentando a riqueza de outros e mendigando moedas por aqui.

É extremamente ridículo se conformar com o desenvolvimento, alto ou baixo, do Brasil nos últimos anos. É extremamente ridículo se conformar com os problemas sociais que se perpetuam no Brasil. É EXTREMAMENTE RIDÍCULO acreditar que falta verba, falta dinheiro para resolver isso tudo. Mesmo sendo todo o caco que já somos, estamos entre as 10 MAIORES economias do mundo, e você vem me dizer que não tem dinheiro? Vem me dizer que não tem dinheiro para plantar trigo? Não tem dinheiro para fazer siderúrgica ou refinaria? Não tem dinheiro para tirar o povo da miséria, para fazer um sistema de saúde descente, educar toda essa gente, tirar favela e preparar polícia... VOCÊ ACHA QUE O PROBLEMA É DINHEIRO?!?! Meu deus, antes fosse esse o problema, nós não temos é vontade política e social!

Todos, todos os problemas deste país já podem ser solucionados; tudo, tudo nesse país já pode ser evoluído; todos, todos nesse país já podem ter renda, educação, comida, saúde, abrigo... E porque não tem? Nossa atual economia poderia SIM transformar a realidade social desse país num período de tempo muito curto, e mais, nossa atual economia poderia também ser multiplicada em muito pouco tempo. Podemos enriquecer mais que qualquer outro povo, mas onde estão as ferrovias, hidrovias? Indústrias, infra-estrutura? Emprego, educação? Onde, me diga, onde? Para uma das maiores economias do mundo e potencial maior economia do mundo você se contenta com ISSO? Isso que você vê pela sua janela, que você vê na TV? Se contenta com obrinhas que não mudam nada, desculpa de falta de verba, falta de educação, comida e saúde.

O patriotismo brasileiro pela atual realidade nacional é idiotice, estupidez, positivismo cego, burro e doente. Sentir orgulho dessa pocilga que temos aqui hoje é digno de nojo. O verdadeiro patriotismo brasileiro, o MEU patriotismo brasileiro, vem não de nossa realidade, mas de nossa capacidade. Nós somos o único país no mundo capaz de tudo, nós somos o herdeiro do trono, o gigante adormecido. Só nós, Brasil, temos uma energia acumulada capaz de chacoalhar a idade contemporânea como nenhum outro país. Só que, infelizmente, de nada adiantar ter o maior potencial, com a menor prática. Somos um Ayrton Senna, um Nelson Piquet, um Fittipaldi e uma Massa, todos sentados em um banco de praça, nenhum dentro do carro correndo. Nós somos, sim, um país de conformados, como o povo, corruptos, como os políticos e sonhadores, como eu. Onde estão os arquitetos, engenheiros e operários desta grande obra para construir nosso país? Enfim, eu possuo 21 anos, quase 22, e antes de construir meu país ainda estou me construindo como homem. Num futuro próximo, espero, esse homem que serei passará do time dos sonhadores para o dos construtores, um dos grandes construtores, um do tipo de faz Itaipu, maior hidrelétrica do mundo em energia gerada num país de déficit energético. Se meu sonho não pode mudar meu país, quero pelo menos marcar à ferro quente, para que sirva de inspiração para os sonhos de um próximo brasileiro, este, talvez, que finalmente mude o meu, o nosso, país.

Brasil: terra de muita gente, mas de poucos brasileiros.


Victor Tadeu Oliveira
(você ainda vai ouvir falar um dia, pelo menos assim espero)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Grandes eventos, grandes vergonha

A nova onda agora é grandes eventos esportivos no Brasil. Começou com o Panamericano passado e agora tenta-se uma Olimpíada e uma Copa do Mundo. Legal, bacana, promover o Brasil... Para quê?

Promover por meio de festa, de um sentimento ufanista falso, o país da mentira? Ver nosso exímio presidente Mula dizendo que o Brasil está pronto para isso e para aquilo? Para o quê, exatamente? Pro futuro? Que futuro? O Brasil não está pronto nem para o presente, quanto mais para o futuro.

Toda essa lengalenga de Olimpíadas e Copa do Mundo não serve ao Brasil de nada. O que ganhamos com os olhos do mundo voltados para nós? Mais investimento, atenção, cadeira na ONU? Tudo isso para quê? Investimentos, dinheiro, já temos agora e, no entanto, no que se investe? Saúde, educação, transporte? Como se combate a pobreza aqui? O Brasil está pronto para o “futuro”!? Em 2014 teremos estádios modernos, beleza, mas bilhões serão gastos nessa banalidade e muitos continuarão pobres, miseráveis, famintos, desempregados e marginalizados. “Melhoraremos o sistema de transporte público”. Sério? E precisa de Copa para isso? Quer dizer, sem Copa, fica como está?

Eu me lembro, ainda me lembro, do hiper-faturamento que as obras para o Pan do Rio de Janeiro tiveram. Investiu-se milhões para a realização do evento com a desculpa do legado em infra-estrutura que seria deixado para a cidade. Pois bem, cadê o tal legado? A cidade continua com problemas de transporte, continua cheia de favelas e o crime galopa cada vez mais. Não se tem um décimo do ânimo em erradicar a marginalização na cidade como se tem para fazer uma droga de evento esportivo para a promoção da face-limpa do Brasil. Com certeza se todos aqueles milhões gastos para Panamericano tivessem sido usado no processo de urbanização da favela ou em investimentos no combate ao narcotráfico, a cidade carioca estaria muito melhor hoje.

Agora surge o Rio de Janeiro para as Olimpíadas. Uma quantia MUITO maior de dinheiro será pulverizada na realização dessa nova empreitada promocional. Um super-faturamento ainda maior, uma encheção de saco ainda maior e muito mais dinheiro sendo usado para fazer gringo feliz de ver bunda no Brasil em vez de educar essa massa de ignorantes que habita o país. De onde o governo tira tanta verba para por em Olimpíadas que não existe para por em saúde e educação? E, uau, cadê o tal legado do Panamericano agora?

Mas o mais interessante de todos é a Copa do Mundo em 2014. Estimasse que custará 11 bilhões, isso mesmo, 11 bilhões! E sabe o que é mais engraçado? É uma piada! Só um Panzinho a toa custou 4, isso mesmo, 4 bilhões! Se um Pan, um evento continental, sugou 4 bilhões, sendo desses 4, 1 ninguém sabe para onde foi, o que dizer de uma Olimpíada, que é global, e de uma Copa do Mundo, maior evento esportivo de nossa era!?

Ainda não há estimativas para o custo das Olimpíadas no Rio em 2016, mas, vamos supor, com o Pan em 4 bilhões e a Copa em 11, a Olimpíada fica no meio aproximadamente 8 bilhões. Soma-se tudo e tem-se 23 bilhões. Vinte e três bilhões retirados do além por um governo que alega faltar verba para aprimorar a saúde, educação e segurança pública.

Agora me diga você, brasileiro médio, em que esses 23 bilhões vão te beneficiar? Você vai ver mais criança na escola? Menos fila no hospital? Sem-teto virar com-teto? Diminuição da criminalidade? Desenvolvimento econômico? Não, nada. O que você vai é a bandeira verde e amarela continuar sendo estuprada e exposta como um país alegre e contente, mas com a população pobre e sem dente.

Vergonha. Sinto vergonha. Tenho vergonha do Panamericano 2007, tenho vergonha da Copa do Mundo 2014 e tenho vergonha das Olimpíadas 2016. Tenho vergonha de bilhões serem gastos em diversão e brincadeira e não em saúde e educação. Tenho vergonha dessa população, desculpe, imbecil que se levante e bate palmas para essas falcatruas. Tenho vergonha de um governo corrupto, extremamente corrupto, que atrai grandes eventos esportivos para manter o status quo de seu comodismo. Sim, eu tenho, muita, muita vergonha de ser brasileiro. Amar meu país não me impede de ligar a TV, ver o que vejo e pensar “céus, esconde essa bandeira”.

domingo, 13 de setembro de 2009

O clássico "desculpa de aleijado é muleta"

Quantos brasileiros possuem sonhos ufanistas? Quantos sonham, como eu, com uma fama política, ser sinônimo de honestidade e competência, como se pudesse um dia ser o próximo nome lembrado na história como um dos grandes líderes da humanidade? Quantos mais querem seu legado escrito em livros de história e não em estúpidas revistas que vendem a fama de músicos, cantores, esportistas e modelos vulgares que para nada de real servem para as próximas gerações deste país e do mundo?

Nossas atuais celebridades, ícones no Brasil, são em sua imensa maioria ridículos fetiches sexuais que quase todas as pessoas parecem cobiçar. O sóbrio líder político em seu terno negro e cabelos brancos não parece despertar a atenção de uma mídia promíscua que vende a imagem do corpo, não do homem, perfeito. Faz-nos querer ser como uma top model estúpida ou um charlatão ator e não como um ser humano firme. Enche o coração do brasileiro de obscenidades e não o cativa para a cidadania, gerando esta sociedade burra e estuprada.

Quantos de nós numa multidão orgulha-se de expor em seu peito, seus objetos, a flâmula nacional, ostentando o orgulho por sua pátria, como se lamentasse pela sina daqueles que aqui não nasceram. Utopia minha isto seria se não fosse o que é visto em países consagradamente bem-sucedidos.

O brasileiro médio ri e condena-se ao rir de “nacional”, não vendo ser exatamente este o remédio para os problemas do país. É exatamente deste tipo de humor doentio que se alimentam todos os vírus das doenças que padece este país. É por não amar que tolera assistir sua pátria, sua vida, ser estuprada por tantas formas de abuso. Individualiza para si tais problemas e sonha em driblá-los, não resolve-los. Uma casa na Europa, um salário em dólar, “eu te amo” em outra língua.

Quem nos estupra é quem vemos no espelho. Sofremos pelo sofrimento que nós nos afligimos, não por um que apenas permitimos. O Brasil foi se foder e quem mandou foram os brasileiros.