Um planeta distante parece tão mais belo... até você chegar lá e ser destroçado por uma gravidade aumentada, ventos sulforosos e variações térmicas exorbitantes.
Enfim, todo mundo é como a Terra.
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Lobotomia
Mas o amor é tão incerto,
você sabe que ele é.
Nessa vida tudo é tão incerto,
tuas certezas, as minhas, nada nunca está perto.
E num destino um sopro tão discreto,
que ao piscar os olhos passa direto.
E os nossos sonhos de ontem para hoje em dia,
não fazemos hoje as promessas que ontem a gente fazia.
E o que é destino para nós?
E o que foi destino para você?
Quando todo dia a gente sente e sofre,
o que era certo hoje ninguém consegue entender.
A certeza morre junto de toda essa clareza,
e ninguém compreende na vida onde se esconde a beleza.
No perdemos nesse mundo cheio de cores,
aquelas tantas que também pintam os quadros de nossas dores.
Nada é certo, tudo é tão incerto,
do destino discreto um medo singelo.
O que será do amanhã com o que fazemos hoje?
E o que é hoje com o que fizemos ontem?
Será que vamos nos arrepender de tudo antes de morrer?
Era essa escolha a certa, será que há alguma certa?
E o que é a vida se não um mar de dúvidas,
onde até sonhar não é certeza de noite.
E o que pensava de ti será que amanhã ainda penso?
E o dia de ontem será que ainda é hoje?
Será toda essa profusão de tempo, espaço e rebeldia,
a fonte de tanta dúvida, medo e melancolia?
Você lembra de mim como um dia ainda vou lembrar de você?
Você pensa e chora por mim hoje como ontem já fiz por você?
E o que é nessa vida felicidade?
Também não sei definir nem o que é tristeza.
E o que é em nossos corpos nossos sentimentos?
Somos tão pequenos, somos tão covardes.
Nos esquecemos todo dia um pedaço de nós,
e no futuro próximo, hoje, não nos reconheceríamos.
A mente muda o humano que continua,
com seus sonhos pequenos e sua alma vazia.
O destino distorce o que o futuro constrói,
um mausoléu para vivos, memoriais para não-heróis.
Só sabemos o que é grande quando nos tornamos pequenos,
abrindo mão daquilo que nos tornava gigantes.
Ninguém pode saber o que vem pela frente,
mesmo se algum deus existe, ficaria surpreso.
É nessa guerra que o ser humano constrói,
num tempo tão incerto um amor tão concreto.
você sabe que ele é.
Nessa vida tudo é tão incerto,
tuas certezas, as minhas, nada nunca está perto.
E num destino um sopro tão discreto,
que ao piscar os olhos passa direto.
E os nossos sonhos de ontem para hoje em dia,
não fazemos hoje as promessas que ontem a gente fazia.
E o que é destino para nós?
E o que foi destino para você?
Quando todo dia a gente sente e sofre,
o que era certo hoje ninguém consegue entender.
A certeza morre junto de toda essa clareza,
e ninguém compreende na vida onde se esconde a beleza.
No perdemos nesse mundo cheio de cores,
aquelas tantas que também pintam os quadros de nossas dores.
Nada é certo, tudo é tão incerto,
do destino discreto um medo singelo.
O que será do amanhã com o que fazemos hoje?
E o que é hoje com o que fizemos ontem?
Será que vamos nos arrepender de tudo antes de morrer?
Era essa escolha a certa, será que há alguma certa?
E o que é a vida se não um mar de dúvidas,
onde até sonhar não é certeza de noite.
E o que pensava de ti será que amanhã ainda penso?
E o dia de ontem será que ainda é hoje?
Será toda essa profusão de tempo, espaço e rebeldia,
a fonte de tanta dúvida, medo e melancolia?
Você lembra de mim como um dia ainda vou lembrar de você?
Você pensa e chora por mim hoje como ontem já fiz por você?
E o que é nessa vida felicidade?
Também não sei definir nem o que é tristeza.
E o que é em nossos corpos nossos sentimentos?
Somos tão pequenos, somos tão covardes.
Nos esquecemos todo dia um pedaço de nós,
e no futuro próximo, hoje, não nos reconheceríamos.
A mente muda o humano que continua,
com seus sonhos pequenos e sua alma vazia.
O destino distorce o que o futuro constrói,
um mausoléu para vivos, memoriais para não-heróis.
Só sabemos o que é grande quando nos tornamos pequenos,
abrindo mão daquilo que nos tornava gigantes.
Ninguém pode saber o que vem pela frente,
mesmo se algum deus existe, ficaria surpreso.
É nessa guerra que o ser humano constrói,
num tempo tão incerto um amor tão concreto.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Felicidade?
Felicidade.
Felicidade é o quê?
Felicidade de que cor?
Felicidade de que cheiro?
Felicidade de que jeito?
Felicidade ou pó?
Felicidade.
Feliz?
Feliz como?
Felicidade de onde?
Felicidade como pode?
Felicidade é asneira.
Feliz é besteira.
Felicidade.
Felicidade quero.
Felicidade de onde?
Felicidade de onde vem?
Felicidade de velho.
Felicidade jovem.
Felicidade.
Felicidade morta.
Feliz acho impossível.
Felicidade é impossível?
Felicidade não existe.
Felicidade não.
Feliz?
Feliz, hein?
Feliz internado.
Felicidade virótica.
Felicidade doença.
Feliz é desejo.
Felicidade.
Tristeza.
Triste.
Tr...
T..
t.
.
Felicidade é o quê?
Felicidade de que cor?
Felicidade de que cheiro?
Felicidade de que jeito?
Felicidade ou pó?
Felicidade.
Feliz?
Feliz como?
Felicidade de onde?
Felicidade como pode?
Felicidade é asneira.
Feliz é besteira.
Felicidade.
Felicidade quero.
Felicidade de onde?
Felicidade de onde vem?
Felicidade de velho.
Felicidade jovem.
Felicidade.
Felicidade morta.
Feliz acho impossível.
Felicidade é impossível?
Felicidade não existe.
Felicidade não.
Feliz?
Feliz, hein?
Feliz internado.
Felicidade virótica.
Felicidade doença.
Feliz é desejo.
Felicidade.
Tristeza.
Triste.
Tr...
T..
t.
.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Arte vulga
Detesto quem toca violão sobre uma de suas pernas levantada, geralmente sobre uma cadeira, de corpo curvado e cabeça baixa observando os próprios dedos dedilharem nota por nota uma melodia lenta, como se dissesse “sou artista” e “aprecie minha arte”.
Gosto de quem toca bípedemente em pé, com aquele vaso de madeira dependurado no corpo, tocando sons avulsos e desafinados, enquanto a boca berra uma música ruim e de gosto duvidoso.
Gosto da música não como algo bonito, “para que me olhem”, mas da expressão máxima de um desajustado que faz da arte, vulga, como a nossa própria vida.
Gosto de quem toca bípedemente em pé, com aquele vaso de madeira dependurado no corpo, tocando sons avulsos e desafinados, enquanto a boca berra uma música ruim e de gosto duvidoso.
Gosto da música não como algo bonito, “para que me olhem”, mas da expressão máxima de um desajustado que faz da arte, vulga, como a nossa própria vida.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Que tanto sofrem as mulheres,
que vivem neste mundo um papel,
um papel criado pelo homem,
neste mundo masculino.
Um papel de mulher,
não de ser humano,
do sexo feminino.
Que coitadas, justas ingratas,
sendo as damas de cavalheiro algum,
mas ainda a dama,
por decreto.
Não entendem, os homens, porque,
porque estas se aproximam dos cafajestes,
enquanto estes seguem suas flores,
gentílico de puta.
Cá eu, não entendo,
o que ser humano algum,
atrai-se pela vulgaridade.
que vivem neste mundo um papel,
um papel criado pelo homem,
neste mundo masculino.
Um papel de mulher,
não de ser humano,
do sexo feminino.
Que coitadas, justas ingratas,
sendo as damas de cavalheiro algum,
mas ainda a dama,
por decreto.
Não entendem, os homens, porque,
porque estas se aproximam dos cafajestes,
enquanto estes seguem suas flores,
gentílico de puta.
Cá eu, não entendo,
o que ser humano algum,
atrai-se pela vulgaridade.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Uma palavra pode ser dita,
uma palavra pode ser escrita,
uma palavra pode ser ouvida,
e mesmo assim permanecer incompreendida.
Um texto pode estar impresso,
um texto pode estar em sua mente,
um texto pode abster de significado,
um texto pode não conter mensagem.
Eu posso querer dizer nada,
ou posso não querer dizer tudo.
Eu posso me fazer de mudo,
caso não, você de surdo.
Pode ser em verso, prosa,
posso dissertar a respeito do dicionário,
e permanecer oco de conteúdo.
Pode-se discursar, pode-se proclamar,
reze,
isso não exprime comunicação.
Para nem toda frase há um ouvinte,
nem em toda voz há um locutor.
Eu posso querer não dizer nada.
uma palavra pode ser escrita,
uma palavra pode ser ouvida,
e mesmo assim permanecer incompreendida.
Um texto pode estar impresso,
um texto pode estar em sua mente,
um texto pode abster de significado,
um texto pode não conter mensagem.
Eu posso querer dizer nada,
ou posso não querer dizer tudo.
Eu posso me fazer de mudo,
caso não, você de surdo.
Pode ser em verso, prosa,
posso dissertar a respeito do dicionário,
e permanecer oco de conteúdo.
Pode-se discursar, pode-se proclamar,
reze,
isso não exprime comunicação.
Para nem toda frase há um ouvinte,
nem em toda voz há um locutor.
Eu posso querer não dizer nada.
domingo, 13 de setembro de 2009
Estou sentado no escuro no assoalho,
vendo no tempo uma linha de formigas,
carregando os pedaços de minha vida,
para um formigueiro que nem sei a onde é que fica.
Nesses pedaços eu vejo momentos,
mutilados fora de seus dias.
Nesses momentos eu vejo rostos,
mutilados fora de seus corpos.
Eu vejo no fim da fila um buraco fundo,
que os insetos adentram para o fim do mundo,
ampulhando os grãos de minha vida,
vida minha que foi deserto.
Eu me pergunto a onde está você agora.
Por entre alguma das pinças de quitina,
ou escaldando nas areias do meu Saara?
Eu me pergunto o que será de nós agora,
que o desapego desta hora,
assim não muda o que eu sinto agora.
Sou caminho sem destino,
ou Portugal sem caravela,
sou labirinto quando você chora.
vendo no tempo uma linha de formigas,
carregando os pedaços de minha vida,
para um formigueiro que nem sei a onde é que fica.
Nesses pedaços eu vejo momentos,
mutilados fora de seus dias.
Nesses momentos eu vejo rostos,
mutilados fora de seus corpos.
Eu vejo no fim da fila um buraco fundo,
que os insetos adentram para o fim do mundo,
ampulhando os grãos de minha vida,
vida minha que foi deserto.
Eu me pergunto a onde está você agora.
Por entre alguma das pinças de quitina,
ou escaldando nas areias do meu Saara?
Eu me pergunto o que será de nós agora,
que o desapego desta hora,
assim não muda o que eu sinto agora.
Sou caminho sem destino,
ou Portugal sem caravela,
sou labirinto quando você chora.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
A Crise Existêncial como condição de Existência
Reclamo, logo existo. Afinal se pensar é a condição de existir, defina-me, então, pensar. Na indefinição do pensar, como definir a existência como tal? A resposta filosófica para uma dúvida filosófica é outra incógnita filosófica? Fácil resolver desta forma um problema, que se visto como matemático torna-se xERx = y*. Não é preciso nenhum tipo de brilhantismo matemático para saber que, se x = y, tanto faz x ou y em sua equação existencial. Explicando: se a condição de existência humana é pensar e na ignorância do ser do ‘pensar’, ‘existência’ continua igual a uma questão necessitando explicação.
Por outro lado, em termos humanos, ao contrário da matemática, nem tudo igual à outra coisa tem seu inverso também válido. Ou seja, x = y, sim, mas não y ≠ x. Por extenso, o que pensa, existe, mas nem tudo que existe, pensa. (Ironizando, nem todos que existem, pensam.) Então se a condição para a existência humana é o pensar de forma humana, o que é pensar, ainda mais como um humano?
O que todos os seres de nossa espécie têm em comum? Pensamos de formas diferentes, a respeito de coisas diferentes. Somos homens e mulheres, capitalistas e comunistas, honestos e corruptos, merecedores da e vida e indignos da mesma. Único fator formulado na mente humana, ‘pensado’, comum a todo indivíduo humano é a reclamação. Em nossos desejos, à parte fisiológicos, somos todos iguais na reclamação. Reclamamos, inclusive, do que nos leva à existência, fato não comparado pela natureza clássica. Talvez reclamar, não pensar, seja a condição de existência humana. Não reclamar de dor ou fome, como um cão, mas reclamar de algo abstrato, como a existência.
Talvez apenas a importância a fatores que não alterem a ordem natural da vida e sua indagação caracterizem a existência humana. Poderíamos reclamar da letal fome, como um animal, mas pensamos, também, a respeito de nossa existência que mesmo se gerada uma resposta, não parece driblar a morte ou perpetuar a espécie, instintos naturais básicos a todos os seres vivos.
Sim, penso, logo existo; mas reclamo, como humano, logo penso, como humano, logo existo, como humano.
Alguns indivíduos parecem não pensar de forma popularmente aceita como inteligente, mas todos em algum momento de suas vidas param para pensar, seu propósito, de onde viemos, em uma crise existencial. É comum ao ser humano reclamar de fatores não relacionados à sua existência como ser vivo, mas como indivíduo próprio dotado de algo, por falta de termo melhor, chamado alma. Talvez isso nos separe dos demais animais e esta crise caracterize a existência dada por “humana”.
* (x pertence aos números reais tal que x igual à y)
Por outro lado, em termos humanos, ao contrário da matemática, nem tudo igual à outra coisa tem seu inverso também válido. Ou seja, x = y, sim, mas não y ≠ x. Por extenso, o que pensa, existe, mas nem tudo que existe, pensa. (Ironizando, nem todos que existem, pensam.) Então se a condição para a existência humana é o pensar de forma humana, o que é pensar, ainda mais como um humano?
O que todos os seres de nossa espécie têm em comum? Pensamos de formas diferentes, a respeito de coisas diferentes. Somos homens e mulheres, capitalistas e comunistas, honestos e corruptos, merecedores da e vida e indignos da mesma. Único fator formulado na mente humana, ‘pensado’, comum a todo indivíduo humano é a reclamação. Em nossos desejos, à parte fisiológicos, somos todos iguais na reclamação. Reclamamos, inclusive, do que nos leva à existência, fato não comparado pela natureza clássica. Talvez reclamar, não pensar, seja a condição de existência humana. Não reclamar de dor ou fome, como um cão, mas reclamar de algo abstrato, como a existência.
Talvez apenas a importância a fatores que não alterem a ordem natural da vida e sua indagação caracterizem a existência humana. Poderíamos reclamar da letal fome, como um animal, mas pensamos, também, a respeito de nossa existência que mesmo se gerada uma resposta, não parece driblar a morte ou perpetuar a espécie, instintos naturais básicos a todos os seres vivos.
Sim, penso, logo existo; mas reclamo, como humano, logo penso, como humano, logo existo, como humano.
Alguns indivíduos parecem não pensar de forma popularmente aceita como inteligente, mas todos em algum momento de suas vidas param para pensar, seu propósito, de onde viemos, em uma crise existencial. É comum ao ser humano reclamar de fatores não relacionados à sua existência como ser vivo, mas como indivíduo próprio dotado de algo, por falta de termo melhor, chamado alma. Talvez isso nos separe dos demais animais e esta crise caracterize a existência dada por “humana”.
* (x pertence aos números reais tal que x igual à y)
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Olhe de fora
É impressionante como as coisas podem ser. Eu sento na mesma cadeira do lado da mesma janela há anos, pintado sempre o mesmo quadro de prédios que escondem o horizonte e o único movimento visível de nuvens acinzentadas cruzando os céus. Só daqui, sentado, olhando por minha janela, eu posso ver dezenas de outras janelas, dezenas de outros lares. Sei que a cada lar, uma situação, uma vida, mas morbidamente eu nunca vejo ninguém nessas janelas. São como se fossem dezenas de rostos sem face, dezenas de pessoas que não estão lá, dezenas de lugares vazios.
Posso dizer que todo ano erguem um novo edifício à vista de minha janela. Passo alguns meses vendo seus construtores, os operários distantes, pequeninos como formiguinhas, quase sem identidade, como se eu pudesse esmagá-los com os dedos. E ao fim, terminada a obra, mais um prédio, mais inúmeras janelas, mais saber que tem alguém em sua ausência, saber que pessoas existem mesmo sem vê-las, saber que há mais um personagem anônimo no quadro de minha janela.
Como se pode mudar um quadro já pintado? Eu já mudei de endereço desde que cataloguei esta situação, mas ela torna a se repetir. Torna a se mostrar miseravelmente a mesma. É possível que parem de construir mais deles, que eles se movimentem, que tenham vida? Eu estou vendo os prédios errados, de forma errada? Será esta uma sina normal a todos os seres humanos e apenas estarei eu dramatizando demais?
Eu queria poder derrubar prédios. Eu queria poder ter a força de um tufão. Arruinar a cidade e seus bairros, trazendo todo o concreto e tijolos ao solo. Queria poder limpar mais uma vez a terra de seu asfalto, reduzir novamente à areia e pedras as obras, revirginar a paisagem que eu poderia estar vendo de minha janela e então, aí sim, recomeçar o serviço das formiguinhas, pedaço por pedaço, parte por parte, casa por casa, ocupando cada janela e sem subir edifícios em número ao ponto de cobrirem o horizonte.
Talvez eu nunca derrube prédios, talvez eu nunca veja vida nas janelas. Talvez a cidade lá fora seja autônoma e imutável. Mas pensando bem, oras então, talvez eu remobilhe meu quarto e repinte as paredes! Enfim, esta janela vive! Não é porque lá vora está um caos que precisa estar aqui dentro também! Eu tenho as coisas e pessoas que quero, eu tenho as coisas e pessoas que eu amo, afinal, elas estão dentro de casa, não em uma janela lá fora.
Posso dizer que todo ano erguem um novo edifício à vista de minha janela. Passo alguns meses vendo seus construtores, os operários distantes, pequeninos como formiguinhas, quase sem identidade, como se eu pudesse esmagá-los com os dedos. E ao fim, terminada a obra, mais um prédio, mais inúmeras janelas, mais saber que tem alguém em sua ausência, saber que pessoas existem mesmo sem vê-las, saber que há mais um personagem anônimo no quadro de minha janela.
Como se pode mudar um quadro já pintado? Eu já mudei de endereço desde que cataloguei esta situação, mas ela torna a se repetir. Torna a se mostrar miseravelmente a mesma. É possível que parem de construir mais deles, que eles se movimentem, que tenham vida? Eu estou vendo os prédios errados, de forma errada? Será esta uma sina normal a todos os seres humanos e apenas estarei eu dramatizando demais?
Eu queria poder derrubar prédios. Eu queria poder ter a força de um tufão. Arruinar a cidade e seus bairros, trazendo todo o concreto e tijolos ao solo. Queria poder limpar mais uma vez a terra de seu asfalto, reduzir novamente à areia e pedras as obras, revirginar a paisagem que eu poderia estar vendo de minha janela e então, aí sim, recomeçar o serviço das formiguinhas, pedaço por pedaço, parte por parte, casa por casa, ocupando cada janela e sem subir edifícios em número ao ponto de cobrirem o horizonte.
Talvez eu nunca derrube prédios, talvez eu nunca veja vida nas janelas. Talvez a cidade lá fora seja autônoma e imutável. Mas pensando bem, oras então, talvez eu remobilhe meu quarto e repinte as paredes! Enfim, esta janela vive! Não é porque lá vora está um caos que precisa estar aqui dentro também! Eu tenho as coisas e pessoas que quero, eu tenho as coisas e pessoas que eu amo, afinal, elas estão dentro de casa, não em uma janela lá fora.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Pedra e água
É impressionante como as coisas podem mudar. Como você pode ser pedra num dia e água no outro. Como às vezes você se sente horrível, como um peixe suspenso no ar pelo anzol, mas pior ainda quando se desprende deste anzol e fica em queda livre.
Eu cometi muitos erros, sim. Erros demais para uma vida de 21 anos ou, pelo menos, para a minha vida de 21 anos. Sempre existe aquele papo de gente que não anda, com problemas piores que os seus. Só que o tamanho do problema dos outros não tornam os seus próprios prolemas menores na dimensão da sua vida. Desde que me conheço por gente madura, isto é, tomando decisões por conta própria, eu erro. Na verdade começou bem cedo, na fase da inocência, quando algo horrível que fiz tornou-se uma sombra em minha consciência. Sombra, esta, hoje já apagada, mas a inauguração de um verdadeiro off - road de erros e tropeços.
Sabe, eu sempre quis saber: quantos erros pode cometer um indivíduo dentro da fase do tolerável? Existe uma fase tolerável? Se sim, quando ela começa, quando ela termina? Como se livrar de um vício de nunca fazer nada direito? É possível perdoar-se? Não culpar-se e confiar cegamente em si mesmo novamente, ou ao menos, uma primeira vez?
Quantas perguntas e nenhuma resposta. É como naquele comercial que diz que são elas, as perguntas, e não as respostas, que movem o mundo. Bom, eu sempre tive dúvidas e cá estou, acabado. Está na hora de adquirir algumas respostas e menos perguntas.
Eu cometi muitos erros, sim. Erros demais para uma vida de 21 anos ou, pelo menos, para a minha vida de 21 anos. Sempre existe aquele papo de gente que não anda, com problemas piores que os seus. Só que o tamanho do problema dos outros não tornam os seus próprios prolemas menores na dimensão da sua vida. Desde que me conheço por gente madura, isto é, tomando decisões por conta própria, eu erro. Na verdade começou bem cedo, na fase da inocência, quando algo horrível que fiz tornou-se uma sombra em minha consciência. Sombra, esta, hoje já apagada, mas a inauguração de um verdadeiro off - road de erros e tropeços.
Sabe, eu sempre quis saber: quantos erros pode cometer um indivíduo dentro da fase do tolerável? Existe uma fase tolerável? Se sim, quando ela começa, quando ela termina? Como se livrar de um vício de nunca fazer nada direito? É possível perdoar-se? Não culpar-se e confiar cegamente em si mesmo novamente, ou ao menos, uma primeira vez?
Quantas perguntas e nenhuma resposta. É como naquele comercial que diz que são elas, as perguntas, e não as respostas, que movem o mundo. Bom, eu sempre tive dúvidas e cá estou, acabado. Está na hora de adquirir algumas respostas e menos perguntas.
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